Resenha de SEDUÇÕES DA PSICANÁLISE - FREUD, LACAN E DERRIDA - de John Forrester, Campinas, Papirus Editora, 1990, 265 p. Uma leitura analítica do filme “Lúcia e o Sexo” de Julio Medem (2001)

“Santiago” - de João Moreira Salles - uma meditação sobre a memória

29 de Abril de 2008 às 16:42 Sérgio Telles  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1396

“Santiago” de João Moreira Salles - uma meditação sobre a memória

Sérgio Telles

Recentemente, o filme “Santiago”, de João Moreira Salles foi adquirido pelo MOMA de Nova York, honra concedida a poucos, e ganhou mais um prêmio em Londres.

Aparentemente, “Santiago” é um documentário sobre o ex-mordomo dos Moreira Salles, um capricho de menino rico filmando um velho empregado.

Na verdade, “Santiago” é uma refinada meditação sobre o passado, e seu correlato, a memória, expressa quer seja nas lembranças afetivas pessoais, quer seja no registro formal dos documentos.

Em “Santiago”, o passado nos é apresentado em várias camadas superpostas – o passado de João Moreira Salles, tentando recordar a infância através do mordomo e suas lembranças; o passado pessoal do próprio Santiago, suas recordações sobre os parentes italianos e a imigração para a Argentina; o passado sedimentado na história de antigas dinastias e impérios que Santiago copia obsessivamente, tentando captar-lhes o sentido e o perdido esplendor. E há o passado recente do diretor, o intervalo de 11 anos entre as filmagens e a efetiva realização do filme, tempo que lhe possibilita uma reflexão sobre os objetivos que tinha na ocasião em que filmava e como os vê ao retomar os registros para finalizar a obra.

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O texto completo deste artigo está no livro O PSICANALISTA VAI AO CINEMA II - Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2008.

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3 Comentários Faça seu próprio

  • 1. Simone  |  16 de Junho de 2008 às 22:40

    Fantástico..acho que Santigo fala também de um olhar dos Moreira Sales muito sensível para a pobreza. Não conseguia parar de pensar no artigo do Contardo Calligaris..de como o Walter consegue exprimir tanta sensibilidade das imagens dos filmes deles (que são, em sua maioria, histórias de gente simples).

  • 2. Victor Rodrigues  |  19 de Junho de 2008 às 20:46

    Concordo com o que você falou, Sérgio. E também acho Santiago um excelente documentário sobre o próprio fazer documental, leva a reflexões importantes não só pelo fato de projetar um metacinema, mas abre caminhos, junto com outras obras importantes do documentário brasileiro, como Jogo de Cena, para um documentário menos absoluto, mais flexível, crítico de si, mais sincero nestas dimensões.

    Minha opinião é que Santiago é, ao contrário do que o nome do filme indica, é um documentário que diz muito mais sobre o próprio João Moreira Salles que sobre o mordomo. Essa coisa de ter “enterrado” o filme durante um tempo e depois resgatar, numa nova montagem e numa nova visão foi um ponto que gostei muito desse filme.

  • 3. Carlos Ulisses Guedes da Luz  |  17 de Setembro de 2008 às 10:35

    Assisti e adorei. Saí impressionado, não apenas com a cultura e sensibilidade de Santiago, mais ainda com a capacidade do joão contar a história. Gostaria muito de conseguir rever o filme, mas já procurei por toda a internet e não encontrei. Se alguém soouber alguma coisa, por favor, entre em contato.

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