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PERSONA e GRITOS E SUSSURROS, duas obras primas de Bergman

2 de Outubro de 2007 às 19:52 Sérgio Telles  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 2413

Sérgio Telles
psicanalista e escritor

Com a recente morte de Bergman, ocorrida em 30 de julho ultimo, resolvi ver dois de seus filmes por ele mesmo considerados pontos culminantes de sua obra. Refiro a “Persona” (1966) e a “Gritos e Sussurros” (1972).

Não os via há muitos anos e temia me decepcionar. Mas não foi o que aconteceu. Mais uma vez, rendi-me a sua excelência, reconhecendo estar diante de duas inequívocas obras primas.

O filme “Persona” é de clara inspiração psicanalítica.

A grande atriz Elisabeth Vogler (Liv Ullmann), ao ficar inexplicavelmente muda durante uma cena em que interpretava o papel trágico de Electra, é levada para uma instituição psiquiátrica. Ali é examinada por uma psiquiatra, que a considera “normal” e a encaminha para uma temporada de descanso em sua própria casa de praia, acompanhada por Alma (Bibi Anderson), uma enfermeira de sua confiança.

A psiquiatra diz que entende o que se passa com Elisabeth Vogler. Em sua opinião, ao constatar que o contato social não é possível sem o uso de mentiras e fingimentos, que nele, tanto quanto no teatro, é necessário representar papéis, Elisabeth entra num impasse. Disposta a dizer somente a verdade e constatando ser isso impossível, Elisabeth abdica de falar. Por esse motivo, a psiquiatra não a considera doente e sim “normal”. Respeita e admira o que entende como uma atitude “ética” e deixa a cargo da própria Elisabeth a escolha do momento de seu regresso ao palco do teatro e da vida.

Ao falar para a Alma, a psiquiatra diz que Elisabeth emudecera durante a peça e tivera vontade de rir num momento dramático. Alma diz não se sentir segura de poder tratar de Elisabeth, mulher tão admirável e forte.

Mesmo assim Alma aceita a incumbência e se depara com o silêncio e o distanciamento de Elisabeth, rompidos uma única vez e com grande intensidade de afetos ao receber uma carta do marido, que nela enviara uma foto do filho. Elisabeth se recusa a ler a carta e rasga a foto do filho.

O texto completo deste artigo está no livro O PSICANALISTA VAI AO CINEMA II - Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2008.

Publicação arquivada em: Resenhas, Artigos, Cinema, Psicanálise

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1 Comentário Faça seu próprio

  • 1. Isabel Grion  |  28 de Março de 2008 às 12:18

    Adoro esse filme, como adoro todos os filmes de Bergman. Acho que ele, mais do que ninguém, consegue de forma explicitamente cruel, mas as mesmo tempo tão delicada, colocar as contradições do nosso psiquismo envolvidos nas diversas formas de relacionamentos.

    Seus comentários foram perfeitos!

    abraços

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