Considerações sobre “O Código Da Vinci” (*)
30 de Janeiro de 2007 às 18:42 Sérgio Telles | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1910
Considerações sobre “O CÓDIGO DA VINCI” (*)
Sérgio Telles
O extraordinário sucesso do livro de Dan Brown “O Código Da Vinci” e do filme nele baseado caracterizam-no como um produto típico da indústria cultural globalizada.
O que quer dizer isso? Muitas coisas, todas elas derivadas da dicotomia “indústria cultural” e “arte”.
Os produtos da indústria cultural constituem o universo do Entretenimento. São divertimentos, distrações, passatempos, diversões - em sua grande maioria de teor escapista, alienante - voltados para as massas, que envolvem grandes investimentos financeiros em busca dos lucros correspondentes. Para tanto, os produtos são divulgados através de campanhas publicitárias maciças veiculadas pelos diversos meios de comunicação, incentivando seu consumo no mercado.
Todas essas características afastam o “produto da indústria cultural” das chamadas “criações artísticas”. Estas não têm como objetivo imediato o consumo das massas e sim a expressão de novas formas e conteúdos elaborados pelo artista em seu trabalho solitário. Muito embora possam também entreter e distrair, não têm esse propósito como prioridade e sim simbolizar e representar as grandes questões humanas, enriquecendo aqueles que delas se aproximam. Quando aparecem na mídia, as “criações artísticas” ocupam espaços muito específicos e restritos, na maioria das vezes, ignorados pelo grande público.
Não quer isso dizer que ocasionalmente algumas delas não tenham grande apelo popular nem que o artista não tenha ambições, não almeje o reconhecimento e fortuna. Mas o fato é que o que eles produzem, por suas características intrínsecas, dificilmente pode atingir o consumo de massa.
O artista precisa vender suas obras para viver e assim estabelece complexas relações com o mercado, tema que não é possível abordar no momento. Apenas assinalo que o atual mercado de arte usa dos mesmos recursos da indústria cultural em termos de divulgação e marketing, mas está voltado não para as massas e sim para o topo da pirâmide social, para a plutocracia. Se é verdade que o artista não despreza o dinheiro que um bem sucedido produtor da indústria cultural recebe, ele talvez seja ainda mais ambicioso que este, pois aspira a imortalidade.
Produtos da indústria cultural, como “O Código Da Vinci”, são consumidos vorazmente em escala de milhões, saturando o mercado, para logo ser esquecido e substituído por um similar, que inicia um novo ciclo de consumo. Tirando as exceções, uma obra de arte (livro, quadro, filme, etc) atinge um número modesto de pessoas, mas persiste ao longo do tempo, seduzindo novas gerações. Dificilmente ela é tão lucrativa quanto o produto da indústria cultural, que enche os bolsos de todos envolvidos em sua consecução.
O texto completo deste artigo se encontra no livro O PSICANALISTA VAI AO CINEMA II - Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2008.
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2 Comentários Faça seu próprio
1. Sonia M.B.Cordioli | 18 de Outubro de 2007 às 22:40
Tremendamente lógico!!
2. simone | 23 de Maio de 2008 às 15:59
sempre na vida tem muitos obstaculos a ser vencido poriso devemos lutar com unhas e dentes
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