BERGMAN E UMA CONTURBADA RELAÇÃO MÃE-FILHA
25 de Abril de 2006 às 13:25 Sérgio Telles | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 2559
leitura psicanalítica de “Sonata de Outono” (1978).
“Sonata de Outono”, como outras obras-primas de Ingmar Bergman, mostra grande compreensão dos processos inconscientes da vida psíquica. Após a morte do companheiro e empresário, Charlotte (Ingrid Bergman), pianista de fama internacional, é convidada para uma temporada na casa da filha Eva (Liv Ulman).
Anos antes, Charlotte sacrificara a vida familiar em prol da carreira, deixando as duas filhas - Helena e Eva - a cargo do marido. Helena tem uma grave doença que a deixa incapacitada - tartamudeia e rasteja, sem qualquer autonomia. Eva se casara sem amor com um pastor mais velho e mora na casa paroquial de um pequeno povoado. Tivera um filho não planejado que morrera afogado aos quatro anos, algum tempo antes da visita de Charlotte. Fazia sete anos que mãe e filha não se viam e rapidamente as tensões explodem.
Eva acusa Charlotte de tê-los abandonado pela profissão. Mas também a ataca ao lembrar o período em que deixou a carreira para cuidar das filhas. Charlotte se assusta ao perceber a intensidade do ódio de Eva. Acuada, diz ter vivido uma infância infeliz, com pais pouco amorosos, o que a deixou incapaz de sentir afeto a não ser através da música. Confessa que nunca conseguiu se ver como mãe. Era frágil e desamparada demais; ansiava por uma mãe, não por uma filha.
O texto completo deste artigo se encontra no livro O PSICANALISTA VAI AO CINEMA II - Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2008;
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2 Comentários Faça seu próprio
1. Mércia Pinto | 3 de Agosto de 2007 às 19:52
Jõao Sérgio: resolvi escrever aqui que gostei muito dos seus comentários. Mércia.
2. Sonia M.B.Cordioli | 18 de Outubro de 2007 às 22:17
Muito interessante ver esta leitura psicanalitica depois de ter assistido ao filme.
Acredito que esta leitura vá ajudar no processo de desenvolvimento humano que almejamos. Mandei um link do meu para o seu blog. Coisas de blog, não?
Estou curiosa para ler as outras tantas leituras psicanalíticas no livro Um psicanalista vai ao cinema esperando que um segundo livro apareça.
Bom trabalho
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