BERGMAN E UMA CONTURBADA RELAÇÃO MÃE-FILHA
leitura psicanalítica de “Sonata de Outono” (1978).
“Sonata de Outono”, como outras obras-primas de Ingmar Bergman, mostra grande compreensão dos processos inconscientes da vida psíquica. Após a morte do companheiro e empresário, Charlotte (Ingrid Bergman), pianista de fama internacional, é convidada para uma temporada na casa da filha Eva (Liv Ulman).
Anos antes, Charlotte sacrificara a vida familiar em prol da carreira, deixando as duas filhas - Helena e Eva - a cargo do marido. Helena tem uma grave doença que a deixa incapacitada - tartamudeia e rasteja, sem qualquer autonomia. Eva se casara sem amor com um pastor mais velho e mora na casa paroquial de um pequeno povoado. Tivera um filho não planejado que morrera afogado aos quatro anos, algum tempo antes da visita de Charlotte. Fazia sete anos que mãe e filha não se viam e rapidamente as tensões explodem.
Eva acusa Charlotte de tê-los abandonado pela profissão. Mas também a ataca ao lembrar o período em que deixou a carreira para cuidar das filhas. Charlotte se assusta ao perceber a intensidade do ódio de Eva. Acuada, diz ter vivido uma infância infeliz, com pais pouco amorosos, o que a deixou incapaz de sentir afeto a não ser através da música. Confessa que nunca conseguiu se ver como mãe. Era frágil e desamparada demais; ansiava por uma mãe, não por uma filha.
O texto completo deste artigo se encontra no livro O PSICANALISTA VAI AO CINEMA II - Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2008;
2 comentários 25 de Abril de 2006 às 13:25 Sérgio Telles