PSICANÁLISE - UMA ANTI-CONFISSÃO AMOR SÓ DE MÃE

O BICHO COZINHEIRO

12 de Janeiro de 2006 às 01:54 Sérgio Telles  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 643

Observações sobre o filme “O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante” (The cook, the thief, his wife & her lover) de Peter Greenway (1989)

O filme “O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante”, que Peter Greenway realizou em 1989, bem que mereceria um revival nesses dias em que a Haute Cuisine se transformou num fenômeno midiático, dando vez ao aparecimento de uma infinidade de programas de televisão, luxuosas revistas e seções em jornais sobre restaurantes, chefs, receitas de pratos especiais, indicações de vinhos, etc.

Inegavelmente, o atual interesse na Haute Cuisine é um modismo que a coloca como mais um objeto de consumo, no mesmo nível que as grifes de roupas e acessórios. Comer no restaurante de um renomado chef é o equivalente a ter uma bolsa Louis Vuitton, um terno Armani.

Entretanto, essa atual apropriação pelo consumo não anula o reconhecimento da Alta Culinária como parte importante das produções culturais, estruturas que delimitam nosso espaço, discriminando-o da região natural onde se acomodam todos os demais viventes, os outros animais que não os humanos.

Essa discriminação é fundamental, pois compartilhamos com os outros animais a realidade irremovível de um corpo físico, cuja fisiologia impõem os atos de comer e beber, assim como as funções excretórias e sexuais. Nos animais, esses atos são regidos exclusivamente por processos naturais, no homem - o que estabelece a radical diferença - a eles se acrescentam os revestimentos simbólicos criados pela cultura.

Se essa diferença não pode ser negada, tampouco pode ser ignorada a semelhança que persiste entre nós e os animais. Os animais nos obrigam a nos confrontarmos com a realidade concreta de nossos corpos tão próximos dos seus e, mais ainda, em refletirmos sobre nossa origem comum.

A relação entre o mundo animal e o mundo humano é vista dentro de um forte contexto ideológico alimentado milenarmente pela religião. Diz ela que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus. Conseqüentemente, somos especiais e nada temos a ver com os demais viventes do nosso planeta. A descoberta científica de Darwin, evidenciando a evolução das espécies - como disse Freud - foi um dos três maiores golpes no narcisismo da humanidade. Ao invés de filhos de Deus, somos descendentes de macacos! Uma afirmação que ainda hoje é insuportável para grande parte da humanidade, como se vê agora nos Estados Unidos, onde larga parcela da população luta contra o ensino da teoria darwiniana nas escolas públicas e insiste em manter a explicação fundamentalista da criação divina do universo, atualizando-a com novas roupagens - a chamada teoria do “Intelligent Design”.

O texto completo deste artigo se encontra no livro O PSICANALISTA VAI AO CINEMA II, Editora Casa do Psicólogo, São Paulo, 2008.

Publicação arquivada em: Artigos, Cinema

Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 644

Deixe um Comentário

Requerido

Requerido,escondido

Linkar esta publicação  |  Assine os comentários via o RSS


Calendário

Janeiro 2006
S T Q Q S S D
« Dez   Fev »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Minhas Publicações Recentes

Publicações por Mês

Estatísticas

Meta